Cerco de Narbona
Campanhas de Carlos Martel na Provença e Septimânia – cerco de Narbona (737) · Narbona, Septimânia / Arbûna (França atual)
Resumo
Em 737, após Avinhão, Carlos Martel cerca Narbona, porto estratégico omíada desde 719 (tomada por As-Samḥ). A cidade conserva muralhas romanas (Sidónio Apolinário, 465). Um exército de socorro de al-Andalus é interceptado e esmagado na Berre; a guarnição resiste mesmo assim. Falta de material de cerco, inverno, hostilidade de Hunald da Aquitânia e revolta de Mauronte na Provença: o cerco é levantado antes do fim de 737. Na retirada, os Francos devastam Nîmes, Agde, Béziers e Maguelone. Narbona permanece omíada até 759. Sucesso militar franco parcial (socorro quebrado, região devastada) mas politicamente indeciso quanto à tomada da cidade (Wikipedia FR/EN).
Contexto histórico
Desde 719, Narbona (Arbûna) é base e capital da Septimânia muçulmana. Tradição local: entrada de surpresa no outono de 719 durante as vindimas, portas abertas — explica uma conquista rápida apesar das muralhas, depois uma reconquista longa (Wikipedia FR). Homens defensores mortos, mulheres e crianças deportadas, pequena guarnição deixada. Yusuf al-Fihrī chega cerca de 734; em 735 Arles com Mauronte. Após Poitiers (732), Martel visa isolar e retomar a praça. Wikipedia EN insiste nos arranjos godos/galo-romanos com os Omíadas face à expansão franca. O cerco de 737 é assim operação militar e prova política regional.
Táticas
Bloqueio terrestre de uma cidade fortificada de origem romana, com tentativa de cortar os acessos. Os Omíadas exploram o acesso marítimo/fluvial (navios que remonta rumo à cidade; descrição geográfica posterior de Zuhrī sobre Arbûna, Wikipedia FR). O exército de socorro de ʿUqba / ʿUmar é derrotado na Berre, isolando ainda mais a guarnição sem forçar a capitulação. Sem efetivos antigos fiáveis. O levantamento do cerco responde a condicionantes logísticos (material), sazonais (inverno) e estratégicos (Hunald, Mauronte) mais do que a uma derrota campal perante os muros (Wikipedia FR/EN).
Consequências
Narbona permanece o último grande bastião omíada na Septimânia até ao cerco de 752–759 (Pepino, o Breve). A campanha de 737 isola a praça, destrói vários apoios regionais e confina a guarnição. Wikipedia EN: sucesso militar franco contra o califado, indecisão política por não tomar a cidade. Prepara a reconquista carolíngia ulterior. Entre 752 e 759, conflitos francos–sarracenos–visigodos; em 756 Saragoça subleva-se, limitando a ajuda andaluza (Wikipedia FR). (fontes: Wikipedia FR/EN).